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Reflexão e ofensiva

Traz conforto, a retórica da resistência. Está ancorada em saudosismo partisano de muitas guerras, sejam na Itália, na França ou no Araguaia. Dizer que ninguém solta a mão de ninguém, no entanto, reflete mais uma disposição de nos abraçarmos diante do pelotão de fuzilamento do que de partir para cima do infame batalhão.

A hora de resistir passou.

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O que a história nos pede agora é muito mais que paciência e fé no discernimento de nossos compatriotas. É hora de assumir os riscos da iniciativa. O momento, definitivamente, não é de resiliência, mas sim de ofensiva.

Batalhas decisivas estão em andamento, e não será com resignação que vamos vencê-las.

As forças progressistas precisam tomar a frente, apontar para o avanço em todas as pautas e colocar na defensiva os governantes fantoches e aqueles que os subvencionam e manipulam. Deixemos para eles a tentativa de resistir.

Reforma da Previdência para ampliar os direitos dos trabalhadores urbanos e rurais.

Autonomia universitária absoluta.

Universalização do ensino público em todos os níveis.

Liberdade incontestável nas salas de aula em todos os níveis.

Descriminilização dos movimentos sociais.

Desprofissionalização da política.

Reafirmação dos direitos trabalhistas usurpados pelo Congresso da torpeza.

Aumento drástico do investimento nas políticas de renda mínima.

Restabelecimento dos investimentos sociais em níveis superiores aos da Constituição de 1988.

Recuperação e ampliação da soberania sobre o Pré-Sal.

Desmilitarização da polícia.

Endurecimento das leis de proteção ambiental e reaparelhamento da fiscalização.

Política de energia focada em recursos renováveis.

Elevação da autonomia e do direito dos indígenas à terra.

Direito à mobilidade assegurado pelo passe livre.

São exemplos de pautas irresistíveis que esperam por nosso primeiro passo.

Não caminhamos a esmo, entretanto. O exercício de compreender o momento histórico é o que nos dá segurança e convicção. A reflexão, porém, deve ser concomitante ao trabalho, e são contribuições para que ela ocorra o que oferecemos neste número de Pátria Distraída.

AO ENFRENTAMENTO – Aspectos da ofensiva do capital contra o trabalho no Brasil. Por Thomaz Ferreira Jensen.

O CONLUIO – Se o desenvolvimentismo reproduz a ordem burguesa no capitalismo o liberalismo rompe de vez com qualquer avanço social. Análise de conjuntura por Marcelo Gonçalves Marcelino.

TERRA SEM MALES – Sonhar impede que se envelheça quando o sonho é realizado com outros que também aprenderam que viver sem amigo. Por Adalberto Fávero.

FORA DO MURO – A centralidade da questão ambiental no momento presente. Por Suzana Valaski e Nilson Valaski.

EDUCAÇÃO E EMANCIPAÇÃO – O estudante de Medicina João Moisés relata sua trajetória transformadora, a partir do ensino público e do financiamento estudantil.

Ilustração: Montagem sobre foto de Leandro Melito Fonte / EBC. Manifestantes cercam o Congresso – Junho de 2013.