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Brazilian journalist

A arte nos trai

bacura

“Mesmo quando as minhas mãos estão ocupadas em torturar, esganar, trucidar, o meu coração fecha os olhos e sinceramente chora”, dizia o Fado Tropical de Chico Buarque. Atualizando a canção, o poeta talvez concluísse que o tempo inverteu os versos, e hoje, mesmo quando nosso coração se derrete em melodramas

televisivos e sinceramente sofre, nossas mãos estão ocupadas em brutalidade tão visceral que nem a literatura ou o cinema ou a mais ousada expressão da arte consegue alcançar. Algumas dessas entranhas sem piedade ou razão, espalhadas na arte perplexa de nosso tempo, são observadas nesta edição de Pátria Distraída.violins

SEGUNDA CRÔNICA DA REPÚBLICA – Adalberto Fávero revela o pensamento de Astrogyldo, “um sujeito que perdeu a própria sombra, por não possuir mais dimensão de futuro, de passado e do outro. Importa o presente. Para ele, outrora o corpo foi metáfora da alma, depois foi metáfora do sexo e hoje já não é metáfora de coisa nenhuma.

BACURAU – Com todos os lugares-comuns e artifícios mais e menos bem-sucedidos, Bacurau traz o diagnóstico preciso de que o Brasil é um país imerso em absurdo e apenas pela loucura é possível sobreviver. Artigo de Vinícius Aranha.

VIOLINS MIRA O ABISMO – É assustador e curioso pensar que os absurdos que o narrador daquele longínquo 2007 profere, hoje podem ser encontrados com facilidade em caixas de comentários Facebook afora, Não há arco de redenção., mas Violins nos deixa várias perguntas, sendo a principal: como deixamos as coisas chegarem nesse ponto?

EDUCAÇÃO E BARBÁRIE – No horizonte de expectativas do atual governo, seremos uma sociedade de encanadores, formados preferencialmente nas escolas cívico-militares. O ataque às Humanas não é novo. Orientou e ajudou a dar forma a políticas públicas como a nova Base Nacional Curricular e a Reforma do Ensino Médio. Está, também, na origem da sanha persecutória que mobiliza e sustenta ideologicamente movimentos reacionários como o “Escola sem Partido”. Por Clóvis Gruner.

SEGREGAÇÃO INTRÍNSECA – Os políticos que se restringem a apresentar a imoralidade de seus adversários acabam revelando um conteúdo próprio, segundo a lógica freudiana, também pela via da projeção. Discursos falaciosos permeados por garantias utópicas repercutem ainda que compostos por estribilhos rasos, do tipo “vamos acabar com a corrupção”… Mas como reestruturar um sistema corrompido? Reflexão de Karine Vicelli.

EM GUERRA – Clemente Ganz Lúcio assiste ao filme como expressão política do conflito social em decorrência dos interesses econômicos antagônicos. O poder do dinheiro e a ganância pelo acúmulo de riqueza financeira como valores primordiais fazem a cara desse novo mundo produtivo.

O AGRONEGÓCIO DOS DEPUTADOS – Meri Tochetto Cardoso defende que o debate sobre a questão do meio ambiente na Amazônia precisa necessariamente passar pelo entendimento do que significa ser bancada ruralista e quais são os métodos e estratégias utilizadas por ela para defender os interesses dos grandes proprietários rurais.