MESA REDONDA: O DESEMPREGO E OS NÃO RENTÁVEIS – 19/08/2021 às 19:00

Debate com Clemente Ganz Luciosociologo. diretor tecnico do dieese de 204-2020. membro do cdes (conselhão) 2004-2018. atualmente coordenador do forum das centrais sindicais) e Adalberto Fávero (Historiador, Pesquisador e Educador)

LINK DO DEBATE: https://meet.google.com/jdd-ftvj-dxq

Debate com Clemente Ganz Lucio, sociólogo, diretor técnico do dieese de 2004-2020. membro do cdes (conselhão) 2004-2018. Atualmente coordenador do fórum das centrais sindicais) e Adalberto Fávero (Historiador, Pesquisador e Educador)

Patria Distraída tem discutido o modelo atual e sua opção de morte e desprezo à vida, como uma proposta econômica e política intencional de seleção natural ou de sobrevivência apenas do mais forte. As megacorporações dominam o mercado e o setor financeiro; somam seus lucros como parasitas que aplicam dinheiro sobre dinheiro; sugam o sangue da sociedade através dos juros sobre a dívida do Estado; das empresas e das famílias; sem mesmo o interesse ou a preocupação com a produção. Aplicar o dinheiro gera mais lucro e parece mais eficaz.

Gera-se um modelo econômico, político e de poder que prescinde do voto e da democracia, bastando a acumulação cada vez maior das riquezas nas mãos de uma minoria, cada dia mais minoria, em prejuizo majoritário da população.

Os três poderes da república insistem em garantir
seus privilégios e a manutenção mútua; numa trajetória assassina e predadora sobre a vida de milhões, de quem roubam a esperança.

Cresce o desemprego, aumenta a fome, multiplicam-se os pedintes nos sinais de trânsito e se reforça a sensação de impotência diante dos absurdos falados, vividos e praticados pelos representantes do Estado, os quais teriam a missão e obrigação de cuidar de seus cidadãos. O desempregado, a mulher, os negros, os gays, os economicamente pobres, e todos os considerados dispensáveis, não têm mais lugar neste jogo.

Até quando sobreviverão os empregos, os salários, a possibilidade de vida digna, os sonhos de um mundo justo e igual/diverso, neste projeto de morte? Que organizações podem ocupar lugar de mobilização coletiva frente a essa avalanche assassina? Que caminhos seriam possíveis nesta encruzilhada entre a vida e a morte? Mais de meio milhão de mortos oficiais e outros tantos fora das estatísticas ou sem nome não bastam?

Estas são questões que Clemente Ganz Lucio (sociólogo, atualmente coordenador do forum das centrais sindicais) e Adalberto Fávero (Beto) propõem-se a debater neste dia 19/08/2021.

Os dois artigos a seguir servem de referência a esta Mesa Redonda, que gostaria de contar com sua presença e participação ativa na reflexão e nesta conversa.

OS NÃO RENTÁVEIS: https://patriadistraida.com/2021/07/05/os-nao-rentaveis/

Gerar empregos no Brasil: o tamanho do desafio

Clemente Ganz Lúcio[1]

            É dramática a situação em que vivem milhões de trabalhadoras e trabalhadores no Brasil. As mudanças tecnológicas impactam os postos de trabalho, as profissões, a formação profissional e, muitas vezes, desempregam. A desindustrialização precoce e continuada fecha bons postos de trabalho. A recessão e o pífio dinamismo econômico dobraram as taxas de desemprego entre 2016 e 2020, ampliando a informalidade e incentivando a rotatividade. A pandemia do Covid19 piorou e agravou os indicadores das ocupações laborais. As mudanças legislativas realizadas desde 2017 legalizaram a precarização, incentivando postos de trabalho de baixa qualidade, ampliando a vulnerabilidade e a insegurança no emprego, suprimindo direitos e arrochando salários. O espectro da destruição no campo do trabalho comanda as políticas públicas e é incentivado por uma parte do empresariado, animada com a redução do custo do trabalho e o fim dos sindicatos.

O desafio é achar caminhos que alterem as dinâmicas que destroem empregos, que retiram direitos, que suprimem políticas públicas de proteção laboral e social, que inviabilizam os sindicatos e incentivam a desfiliação dos trabalhadores. Esses caminhos terão que ser construídos para responder aos dramas do contexto situacional presente e futuro. Por isso, temos que analisar o problema e compreender suas dimensões.

Segundo o IBGE (PNAD Contínua, abril 2021), há no Brasil 177 milhões de pessoas em idade de trabalhar (pessoas com 14 anos ou mais), dos quais 86 milhões estavam ocupadas e 14,7 milhões desempregadas, totalizando 100,7 milhões ativos como empregados ou desocupados e 76,4 milhões estavam fora da força de trabalho.

Em 2020 o patamar de ocupação chegou a menos de 47% daqueles que tinham idade para trabalhar. Em abril de 2021 subiu para 48,5%, ainda assim são os menores níveis da série histórica. Em 2013 o nível de ocupação chegou a 57,3 %. A distância entre essas duas situações ocupacionais (2013 / 2021) significa que cerca de 15 milhões de postos de trabalho foram e permanecem destruídos a partir de 2013.

Atualmente a taxa de desemprego é de 14,7%, o dobro da taxa verificada em 2013 que estava em torno 7%. Portanto, há hoje cerca de 15 milhões de pessoas que ativamente procuram um emprego, quase 8 milhões a mais do que havia em 2013. Mas há também um contingente de 6 milhões de desalentados, pessoas que desistiram da procura por ser infrutífera a luta para conquistar um posto de trabalho.

A situação de muitos dos ocupados também é difícil. Dos 86 milhões que estão empregados, 30 milhões tem carteira de trabalho assinada, os trabalhadores do setor público são quase 12 milhões e outros 4 milhões são empregadores. A desigualdade e precarização se apresenta com 10 milhões de assalariados sem carteira de trabalho assinada e que trabalham na ilegalidade; nos cerca de 24 milhões são trabalhadores por conta própria, a grande maioria sem proteção laboral e previdenciária; nos 5 milhões são trabalhadoras/es domésticas/os, a maioria na informalidade. Nesse contingente de 86 milhões de ocupados cerca de 40% está na informalidade, taxa que não é pior porque a pandemia destruiu em maior intensidade essas ocupações mais precárias.

Entre os empregados o IBGE estima que mais de 7 milhões estão subocupados porque têm jornada de trabalho parcial, portanto inferior àquela que gostaria de trabalhar e para a qual estão disponíveis.

O quadro abaixo apresenta o resumo desse contexto situacional

SituaçãoTotal em milhões
Força de Trabalho Ativa101
Ocupados86
Desempregados (A)15
Desalentados (B)6
Inativos pela pandemia (C)6
Subocupados por insuficiência de horas (D)7
Total de pessoas que precisam de um posto de trabalho (A+B+C) = desempregados + desalentados + inativos que querem um emprego) (E)26
Contingente que precisa e quer trabalhar (quer um emprego ou sair da jornada parcial) (D+E)33
População ocupada sem proteção laboral e previdenciária (F)34

            O contexto presente indica que há 26 milhões de trabalhadores que precisam de um posto de trabalho, outros 7 milhões queriam ter uma jornada de trabalho integral. Há uma demanda real pela criação de mais de 33 milhões de postos de trabalho!

            Uma política econômica orientada pelo interesse social e coletivo deveria induzir dinâmicas de investimentos e políticas públicas para gerar milhões de postos de trabalho, deveria mobilizar políticas protetivas para incluir 60 milhões de trabalhadores que carecem de proteção laboral (E+F).

            Trata-se de um desafio hercúleo que requer um projeto de desenvolvimento focado na geração de empregos a partir da articulação de um tecido produtivo orientado pela cooperação para o incremento da produtividade e distribuída em todo o território nacional, o crescimento da renda do trabalho, comprometido com a sustentabilidade ambiental e superação das desigualdades.


[1] Sociólogo, assessor do Fórum das Centrais Sindicais, membro do NAPP da FPA e ex-diretor técnico do DIEESE. (2clemente@uol.com.br). Artigo publicado na “Focus Brasil” no. 20 de 26/07/21, publicação da FPA – Fundação Perseu Abramo (https://fpabramo.org.br/wp-content/uploads/2021/07/Focus26Jul2021.pdf).



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