Pelo que você luta? Um breve discurso feminista

Cristiane Fellini

Sou mãe, pedagoga, educadora ambiental e mais recentemente me aventurando como criadora e empresária da marca Be Lív – cosméticos veganos e naturais.

Sou mulher, feminista, sonhadora e mãe solo a maior parte do tempo. Tenho convicção de que a forma como fui educada e, por tudo que enfrentei até aqui, formaram a mulher feminista que hoje sou.

Feminista não é querer ser homem, não é querer ser opressora ou dominadora. Mas estou certa que em alguma parte desse trajeto já nos perdemos nesse discurso.  Sob o olhar pedagógico que corre em mim, entendi, parafraseando Freire, que o sonho de todo oprimido é ser opressor. E não há problemas tropeçar nesse ponto do processo, afinal, somos humanas e a maioria não teve uma educação libertadora. Cada mulher encontra-se em momentos diferentes dentro dessa trajetória de luta.

Sabe por quê?

Apesar de ser uma luta coletiva e social, cada sujeito trava dentro de si uma luta contra seus próprios preconceitos e resquícios de uma educação patriarcal e, nesse sentido, meu olhar de educadora ambiental me faz entender que a busca incessante desse autoconhecimento, em si, já é um grito de libertação.  

Logo, meu lado mulher entende que a luta feminista passa pelo conhecimento da história, reconhecendo o sofrimento das mulheres, que enfrentaram mutilações, coisificação e, com conhecimento de causa, ainda enfrentam.  

E, é nesse ponto que meu novo olhar empreendedor, mas muito alinhado às questões ambientais me fez compreender que o machismo está enraizado em todas as esferas, elucidando a visão holística e planetária que eu já tinha sobre a educação ambiental.

Todo o mercado, até século passado era prioritariamente masculino, pensado de forma a propagar tais ideais e visões de mundo. O que ocorre é que esta visão de mundo continua aprisionando o corpo da mulher: perpetuando-se na moda, no vestuário e ditando formas de consumo e beleza na indústria de cosméticos.

Como mulher feminista, aceitei o desafio de quebrar barreiras permitindo-me empreender, mesmo sendo mãe solo a maior parte do tempo e apesar do outro emprego. Munida desse desejo de romper velhos paradigmas, meu marketing digital traz a tona essa luta pelo direito da beleza natural e saudável.

Como pedagoga e educadora ambiental, luto pelo direito dos estudantes a uma educação ambiental que assuma tais temas, tecendo esse olhar planetário sobre a história, as vidas, o mundo.

Como mãe, sou a favor do amor, de que todos se respeitem pelo que são e escolheram ser.

Luto por dias em que essa carne do lado de fora não dite a forma como você é tratada.

Enquanto sonhadora, sonho com o dia em que convenções sociais, feitas por homens e, pior, por algumas mulheres estagnadas com a ideologia machista social com a qual cresceram, sejam apenas lembranças dolorosas e de lutas.

Por fim, todos os meus lados lutam por mudanças desses papéis sociais patriarcais, que ainda parecem estar congelados no século passado. Quero simplesmente ser – humana.

E você, pelo que luta?

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