Invoco convoco provoco

Guego Favetti
Vivemos uma pandemia jamais imaginada dessa forma, pela família humana!Muita ficção, “chutes”, conhecimento científico e capital literário, podem ter expressado algo parecido sobre o que está acontecendo, mas o fato de proporções globais, surpreendeu a todos e de forma indiferente e incontestável, nos colocou numa espécie de camisa de força, que afetou e afetará das mais diferentes formas, a vivência e a sobrevivência humana sobre a terra.
Percebe-se nas manifestações em redes sociais, manifestações as mais diversas e diferentes, de pessoas que se sentem mais ou menos atingidas pelo fenômeno, expressando-se com mais perplexidade ou menos, com mais agressividade ou desespero, por outro lado muitos ao lado da maioria, procurando respeitar as autoridades sanitárias, buscando refúgio em suas famílias e em suas casas, aqueles que têm esses refúgios seguros, organizados, asseados e dignos.
Tem aquela parcela da população que no Brasil fica invisível, sofre todas as carências e injustiças, próprias de uma das sociedades mais desiguais do mundo, que por conta dessa pandemia, preocupa a todos enfim, porque pode “respingar” em todos os efeitos e resultados, de tudo o que pode acontecer, invocando-se como bons brasileiros, a já cansada esperança de construir uma nação minimamente descente e digna.
Bem, dito isso, gostaria de expressar meu espanto e ao mesmo tempo minha alegria, de nessa situação de isolamento social, levar minha música aos lares e lugares mais diversos, para pessoas ávidas de se sentirem incluídas e parte da vida dita “normal”, a qual viviam antes da pandemia.Está sendo uma experiência muito prazerosa e emocionada, pelo fato de manter a chama acesa, da diversão, ainda que virtual, da emoção de me comunicar através das canções, de promover um encontro à distância, de pessoas bem formadas e informadas, experientes, sensíveis, humanas e divertidas!
Fui instado a fazer as transmissões ao vivo, algo que gosto muito, porque sei da receptividade do outro lado, sei da busca por cultura e sabedoria, das pessoas que me acompanham e me conhecem, e mesmo as que não conhecem, da intenção e prática que tenho de levar as canções, letras, músicas, temas, as vezes adormecidos pela mídia, temas que parecem “que não existem”no Brasil, porque não rendem comercialmente, mostrando um sistema perverso, de esconder nossa cultura musical lírico poética, que em muitos países do mundo é admirada e respeitada.
“Eu cantaria o dia inteiro de graça”, se fosse pra colaborar para alguma coisa que fizesse bem às pessoas, levasse emoção, humanidade, cultura, prazer, alegria, diversão.Sei que todo artista quer mostrar sua arte às pessoas, ou pelo menos fazer chegar ao público, o que ele pensa através do que cria, produz, interpreta.A idéia era fazer espontaneamente, sem custos sem imaginar que haveria recompensa, o que pra mim ainda soa um pouco estranho.
Mas a generosidade e consideração de algumas pessoas amigas e próximas, falou mais alto, de que houvesse colaboração espontânea, como recompensa e reconhecimento pelo meu trabalho, porque como vivo de música, do meu canto acompanhado do violão, deveria ser beneficiado pela atuação em “lives”, ao levar programas que escolhemos em formato diário, com o auxílio luxuoso da minha companheira Fabiane Cassou, que me dá todo o suporte e apoio, para a realização, que as vezes participa fazendo ritmo com o “mágico ovinho”, que prá mim é essencial no samba, e ela faz muito bem, fazendo as pessoas que assistem se manifestarem eufóricas, pela sua participação como produtora e ritmista.
E nessa experiência de cantar para as pessoas “à distância”, inclusive com experiências inusitadas, de participação de pessoas que cantam, que tenho trabalho junto, familiares e amigos que tocam um instrumento e cantam com prazer e por prazer, com profissionalismo e paixão, tem me surpreendido a participação e interesse das pessoas, de sugerir, solicitar e opinar sobre as canções apresentadas, me motivando a aprender algumas canções e muito reaprender o que já havia apresentado em outros tempos, em outras circunstâncias.
É muito estimulante pesquisar todos os dias, pensar no que levar para as pessoas, principalmente a mim que sempre gostei e sempre tive um prazer, alegria e muita curiosidade de conhecer autores, detalhes de uma obra pronta, muito por conta de um período que tinha o “Long Play” ou LP, que a gente se debruçava sobre a capa do disco, lendo detalhes dos autores, produtores, instrumentistas, motivos, temáticas, intenção, reflexo do momento político, social e todos os detalhes daquela obra ou daquelas obras, que podíamos conhecer e ter acesso.
Assim me sinto à vontade e como  nessa situação de fazer as apresentações ao vivo, me ocorreu de invocar, convocar e provocar os artistas em geral, para que façam suas “lives”, com música, poesia, pequenos textos, fragmentos de obras, piadas inteligentes, apresentações de palhaços, que são tão necessários para esse momento de tensão e angústia, declamações de poesia tão urgente e interessante para refletirmos o que estamos vivendo.
Temos aqui em Curitiba artistas maravilhosos e também em todo o Brasil, que precisam ou não precisam de recompensa e podem levar às pessoas distração,  enlevo,  ternura, alegria, cultura e prazer, que estão em obras dos mais diferentes gêneros e estilos.Fica a dica e a sugestão.Muita gente está confinada, muitos artistas, criadores, que podem contribuir com esse momento difícil e extremamente delicado que vivemos.A ARTE CURA! A ARTE SALVA! A ARTE HUMANIZA!
Frases na postagem “Recomendações de Mamãe”, de Carlos Drummond de Andrade.
Carlos Daitschman, Hl Leites, João Bello, Daniel Faria, Julião Boemio Boemio, Alvaro Posselt, Alvaro Ramos, Dora Urban, Vladimir Urban, Thiago Menegassi de Almeida, Jazomar Vieira da Rocha, Ana Decker, Nice Luz, Reinoldo Atem, Claudio Filus, Socorro Lira, Zé Luiz Mazziotti, Carlinhos Goiano, Carlinhos Vergueiro-Maisa de Aguiar, Jaime Alem, Lula Barbosa, Laert Sarrumor, Ricardo Corona, Luiz Rettamozo, Sidail Cesar Oliveira, Elían Woidello, Ana Paula Peters, Rogéria Holtz, Susi Monte Serrat, Suzie Franco, Vicente Ribeiro, Vinícius Chamorro, Cris Lemos, Aline Morena, Gerson Bientinez, Vina Lacerda Lacerda, Ajurinã Zwarg, Itiberê Zwarg, C Evandro Lordello, André Ribas, Adriane Werner II, Orlando Baumel, Iso Fischer, Etel Frota, Guilherme Rondon, Emiliano Pereira, Ju Cassou, Davi Sartori, Fabiano M. Pereira

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